Tensão pré-apê novo

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O bom de ter sido criada em cidades pequenas foi sempre ter morado em casas com quintal, muita terra e árvore pra subir (e cair), ter vivido a infância à moda antiga, quando a gente se divertia com pequenas coisas e podia até brincar na rua sem supervisão.

Nos mudamos alguma vezes quando criança, de Porto Velho para Rio Branco, de Rio Branco voltamos pra Porto Velho e de lá fomos pra Boa Vista, nesta última meus pais resolveram quietar o facho. As mudanças não foram nada difíceis pra mim e meus irmãos, que nos adaptávamos logo à nova vizinhança e colégios, afinal nada é muito diferente entre essas três capitais do norte.

Senti a diferença mesmo quando mudei pra Manaus, primeiro porque fui morar sozinha, segundo porque era em outra cidade, rola sempre aquela excitação “uhuuw ninguém pra mandar em mim”, em seguida vem o choque, puts e agora? Não tem mais ninguém pra mandar em mim, vou acabar fazendo besteira…

De cara percebi que aqui a rotina era bem diferente, ninguém ia almoçar em casa durante a semana, ninguém dava uma passada na casa dos amigos sem avisar, ou saía de noite sem rumo procurando alguma coisa pra fazer. Aqui todo mundo trabalha o dia todo, longe de casa, come na rua, só vai na casa do amigo se for convidado ou se ligar antes avisando, e quando sai de noite já tem destino certo. Já repararam que voces não conhecem as mães dos seus amigos aqui em Manaus? Pois é, lá em Boa Vista conheço os pais de todos os meus amigos, pois costumamos frequentar as casas uns dos outros.

Mas como já namorava o Anderson não demorei muito pra me enturmar com os amigos dele, me acostumar e conhecer as vantagens de uma cidade grande, “baré” claro, mas grande perto das outras que já tinha morado, salário melhor, mais de uma sala de cinema, baladas, bons restaurantes.

Até então eu só tinha passeado em cidades grandes, de férias ou em competições esportivas, mas sempre voltava pra minha cidadezinha. Agora era diferente, eu tinha que me preocupar diariamente com engarrafamento, com estacionamento, com a segurança, com as filas em todo canto.

E também tinha que aprender a morar em “poleiro”, como diz meu pai. Quer deixar uma pessoa de cidade pequena totalmente desconfortável? Coloca ela dentro de um apartamento… Morei em um, praticamente uma quitinete quando casei, depois mudamos pra uma casa onde éramos roubados dia sim dia não. Até que achamos uma casa legal, grande, perto do trabalho e numa área bem tranquila, os vizinhos ouvem umas musicas estranhas de vez em quando (do gospel ao carimbó) mas nada que incomode muito, estamos aqui há dois anos.

O problema é que herdei um costume dos meus pais, receber os amigos em casa, os de outras cidades como hóspedes e os daqui em pequenas reuniões nos fins de semana, até hoje eles fazem isso lá em Boa Vista, e nós fazemos aqui em Manaus, quer dizer, a casa que estamos é ótima para isso e o quarto de hóspedes tá sempre ocupado, mas o aluguel mata.

Com o boom do mercado imobiliário em Manaus, há quatro anos resolvemos investir em um apartamento, que deveria ter ficado pronto em abril do ano passado. Depois de um ano e dois meses de atraso a construtora Capital começa a ensaiar a entrega, nos garantiram que em um mês já podemos mudar.

Já estou vivendo a tensão pré-apê novo, mil coisas que quero fazer lá, enfim vou ter a cozinha do jeito que quero, meu closet, vamos parar de pagar aluguel e… vamos começar a fazer parte de um condomínio. Confesso que tô com receio, pois pretendo continuar recebendo os amigos, claro que sendo um lugar menor vamos ter que separá-los em grupos, e os hóspedes também vão ter que se acostumar em dar satisfação na portaria, dividir elevador e não fazer barulho. Ou seja, o terror de todo síndico, apê muito movimentado é sinônimo de reclamação, nem cheguei ainda e já tô causando tumulto.

Vai ficar pra história

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Uma semana marcante… primeiro o Rio Negro ultrapassa a maior cheia da história, e o mais assustador, continua subindo sem previsão de parar. Fenômeno da natureza que só acontece há cada 50 ou 100 anos, dizem os especialistas, mas na verdade ninguém sabe explicar realmente o porquê. 

Vejam como é a força da natureza, nós somos apenas um graveto que pode ser jogado longe com o vento.  Como disse o filósofo Raul Seixas “O planeta como um cachorro eu vejo, se ele já não aguenta mais as pulgas se livra delas com saculejo”.

O outro fato histórico da semana abalou o mundo todo. Não adiantou a infinidade de talento, a genialidade, revolucionar a música pop e criar um estilo único de dança, se consagrar como astro e ídolo, mas nunca pareceu ter muito respeito pela vida, com suas esquisitices e polêmicas praticamente se auto-destruiu e deixa esse mundo mais cedo. Michael Jackson fica imortalizado pela sua arte.

Percebi que grandes pessoas sempre tendem a não valorizar muito a vida, são vários exemplos na música principalmente, espero que o mesmo não aconteça com Amy Winehouse, que infelizmente pode ser a próxima se seguir neste ritmo.

Futuramente vou poder dizer aos meus filhos que assisti o Michael Jackson quando ainda era vivo na televisão e também que presenciei a maior cheia do Rio Negro da história, tudo isso na mesma semana de junho de 2009. Espero que eu lembre também que nesta semana comemorei meu aniversário no sítio, curti a ressaca com o retorno da minha gastrite parte III, o Anderson foi pra Porto Alegre e eu fiquei aqui com inveja, pq o trabalho dele é mais legal que o meu. Mas com certeza isso vai ser coisa do passado.

O que não vai passar nunca é essa melodia de ”Beat It” na minha cabeça, desde ontem quando ouvi no Jornal Nacional e hoje repetiu o dia todo na televisão.

Respeito é bom e mantém os dentes no lugar

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A bela frase do título do post foi escrita aqui pela sobrinha do Vice-Governador após um caso lamentável em que seu pai agrediu um professor da UFAM dentro da sala de aula.

Já pensou se a moda pega?

Tem coisas me impressionam muito mais do que o caótico quadro político do Amazonas,  que hoje envolve suspeitas e investigações de corrupção, compra de votos, tráfico de drogas, assassinatos, e por aí vai…

Uma pessoa que se diz universitária, se sente ofendida com o comentário de um professor sobre a vida pública do titio político. Como se no Brasil ser político já não fosse pejorativo, ela não gostou do professor ter lembrado (e expressado a opinião) do caso que o tio foi acusado de pedofilia. O que fazer? Ligar pro papai, afinal ele vai tomar as dores do irmão e encher a cara do professor Doutor em Comunicação de bolacha. Não preciso dizer que isso é a cara de Manaus né?

Imagina na 5ª série quando chamavam a mãe dela de feia. Dá pra entender que invadir uma sala de aula é uma atitude muito respeitosa, agredir fisicamente um professor na frente de dezenas de acadêmicos é totalmente compreensível né? Afinal todo mundo precisa saber manter os dentes no lugar, ou alguém vai querer me convencer de que esses não são valores de família?

Hora do Planeta

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hora-do-planetaNeste sábado, dia 28 de março de 2009, as 20h30 (horário de Brasília, 19h30 em Manaus), cidades em todo o planeta irão apagar as luzes durante uma hora, num ato simbólico, deixando a mensagem de que é possível agir contra o aquecimento global e as mudanças climáticas.

Faça a sua parte! Apague as luzes da sua sala, divulgue a proposta entre seus amigos e familiares. E não se limite a pensar no planeta durante este evento, procure sempre economizar energia, combustível e água, vamos usar menos descartáveis, embalagens plásticas, vamos dar preferência aos produtos da nossa região, incentive a reciclagem fazendo a coleta seletiva, as próximas gerações agradecem.

by Mariana Paraguassú

O Show do ano e o mico do ano

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O Iron Maiden em Manaus foi um espetáculo, nunca tinha visto um show com tamanha qualidade, profissionalismo e pontualidade – exatamente às 21h (como estava no ingresso), sem contar a performance dos cinquentões, que pique!!! Não tinha como não se empolgar com o Bruce Dickinson correndo de um lado para o outro e o Janick Gers fazendo acrobacias com a guitarra, o Eddie de mais ou menos uns 3 metros de altura levou a galera a loucura…

O público foi um show a parte (que bom que o norte não é só Calipso e Boi Bumbá), foi o dia de soltar os cabelões, vestir a camisa preta e o coturno (que geralmente só é usado no porão do Alemão) e até o sobretudo na noite agradável de 35 graus de Manaus. Um verdadeiro culto ao Metal.

Que bom que este mercado está começando a dar certo em Manaus, é questão de tempo para shows internacionais se tornarem frequentes aqui.foto-0081

Agora, é impressionante que quando que vc está de bobeira se divertindo no horário de folga, e encontra um colega da TV trabalhando, ele dá um jeito de te entrevistar neh? Então, no meio do show eu encontro o Denilson do Zappeando, e depois de várias tentativas eu consegui falar duas frases antes de quase ser pisoteada por um monte de metaleiro alucinado tentando aparecer na televisão (e foi tudo pro ar), o pior é chegar no outro dia no trabalho e ouvir todo mundo dizendo que o mais hilário foi eu tentar manter a pose de apresentadora de jornal no meio de um show de rock… não deu pra enganar ninguém né, acho que até saiu um chifrinho com a mão no meio do empurra empurra gritando “maiden,  maiden, maiden…” =P

P.s.: meu mico já até reprisou no Amazonsat, só eu que não vi…

By Mariana Paraguassú

Elefante Branco

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duke_copa2014enossa

O Brasil acha que tem poucos problemas e arruma mais uma sarna pra se coçar… Esse negócio de sediar Copa nunca me pareceu ser uma boa idéia, afinal tá sobrando dinheiro né?

Além de dinheiro, tá sobrando honestidade também, todo mundo viu o que aconteceu no Pan do Rio, obras superfaturadas, prazos estourados, orçamentos furados, e a história se repete… só que desta vez numa proporção maior.

Se esse dinheiro todo fosse investido em educação, imagina o progresso que o país não teria em 10 ou 20 anos??

Mas não, preferem acreditar que uma Copa vai ser capaz de resolver problemas de infra-estrutura, saneamento, trânsito, transporte público e até a internet de Manaus, de uma vez só e pra sempre. A Copa-costa-larga vai construir uma Arena esportiva faraônica no meio da cidade, que facilmente será o próximo elefante branco do esporte, ou vocês acham mesmo que até 2014 teremos um clube do futebol amazonense na primeira divisão? ou alguma outra modalidade esportiva aqui na região norte capaz de levantar dinheiro suficiente para manter aquela obra? 

Só sei de uma coisa, se estamos na lama vamos chafurdar, se Manaus for escolhida pra sediar essa Copa, o Elefante Branco vai valorizar meu apartamento, que está sendo construído bem ali do lado!!

8 ou 80

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chargerizicultor1

A intolerância do homem é tamanha que às vezes sinto vergonha de viver na Amazônia e saber como isso aqui parece ser administrado pela mãe Joana. Um estado como Roraima, pequeno, sem muitas alternativas de crescimento econômico, cercado de áreas “protegidas”, entre aspas mesmo porque protegida ninguém sabe de quem, mas um estado que me parece totalmente sem perspectiva recebeu hoje a notícia de uma decisão arbitrária.

A tão esperada homologação da terra indígena Raposa Serra do Sol tinha duas opções de demarcação, 8 ou 80, ou agradava fulano ou beltrano. O futuro do estado, a economia e a sustentabilidade sequer entraram em jogo, fica pra próxima. Em se tratando de política muito pouco me surpreende, pois esses caras estão ali pra politicar e não democratizar.

Ou seja, as duas opções não me pareciam muito sensatas, ou dá tudo para os índios (que sinceramente tem um interesse bem duvidoso em um milhão de hectares de terras quase improdutíveis) ou permitem que meia dúzia de empresários espertos (que entraram nas terras mesmo sabendo que corria o processo de homologação há mais de 20 anos), permaneçam na área fazendo fortuna e empregando alguns milhares de roraimenses – e até índios, o que demonstraria a fragilidade do controle de terras no país.

Enfim, os arrozeiros vão sair, depois de muito bate boca, enrolação e conversê de pessoas que não sabem nem onde fica Boa Vista (Rondônia?). Está decidido que é tudo dos índios, afinal índio não é bobo, foi pra escola, estudou, aprendeu com os amigos missionários que ali tem muito minério. E quem não sabe que aquela região está cheia de ongs estrangeiras e igrejas pestanejou um pouco mais demorado.

Será que uma terceira opção nunca chegou a ser cogitada? Um projeto que fosse capaz de pensar na sustentabilidade do estado, fazer as duas partes cederem para que todos ganhem? Não. Ia ser simples demais para ser solução. Pegar o exemplo de países onde ao invés de separar os índios, eles são integrados à economia, também seria simples. A história da humanidade mostra que é difícil misturar pessoas, interesses e culturas, e tudo junto então, mais difícil ainda.

Os arrozeiros ainda tem a opção de levar suas indústrias para o país vizinho, Venezuela, onde o maluco (que tá se fazendo de beleza) Hugo Chavez já ofereceu terras pra eles produzirem, claro que com algumas condições camaradas, que só um ditador pode dar. Mas e o povo de Roraima? Qual é a opção deles? Continuar eternamente vivendo do contra-cheque e dos gafanhotos, infelizmente.

Meus pêsames à Roraima.

chargeindio1