
No post passado escrevi que fiz uma faculdade meia boca, porque já trabalhava e faltava um pouco as aulas, mas eu sei a importância que ela teve para a minha formação profissional. Muito antes de eu começar a estudar comunicação já existia a discussão da exigência ou não do diploma de jornalista para exercer a profissão.
Um absurdo! diziam os professores: – como um repórter vai aprender a questionar se não tiver base teórica e crítica da faculdade? Como vai aprender a ética da profissão? Isso sem falar das técnicas.
De outro lado opiniões como a do Ministro Gilmar Mendes “danos a terceiros não são inerentes à profissão de jornalista e não poderiam ser evitados com um diploma”.
Ontem o impasse foi decidido, os Ministros votaram e acabaram com esta dúvida, o diploma não é mais obrigatório, posso jogar o meu no lixo. E o pior, ainda corro o risco de perder o emprego para alguém disposto a ganhar um salário mínimo.
Nunca vi a redação tão eufórica como nesta manhã, tá todo mundo correndo de um lado para o outro, indignado com as palavras absurdas dos Ministros que decidiram isso, chegaram a comparar o jornalista com um cozinheiro (o diploma também é optativo pra eles, sabiam?). Os colegas aqui já estão procurando outras profissões, planejando fazer outras faculdades, ficaram sentidos mesmo. Eu reconheço que não me surpreendi com a decisão, em se tratando de Brasil, tudo é possível, inclusive é possível que a lei não pegue, como muitas outras.
Agora o que não posso dizer é que os meus 5 anos de faculdade foram perdidos, tenho certeza que não foram, nada vai tirar de mim a experiência do meio acadêmico, o amadurecimento de um conhecimento que não basta apenas ser lido.
Tenho certeza que não é só um diploma que diferencia os profissionais, nunca foi, mas sei que a faculdade é um passo muito grande para quem deseja seguir essa profissão, que não é nada fácil como muitos imaginam.
Só posso lamentar pelo mercado, que corre o risco de ficar uma bagunça, e pelo telespectador, ouvinte, leitor, que é exigente e com certeza vai primar por qualidade.
Mas… como há tempos eu já vinha querendo realmente mudar de profissão, ainda to em fase de pesquisa e numa dúvida enorme entre: Dona-de-casa-mãe-esposa, gastronomia, moda ou odontologia. O que vcs acham?