Faxina!

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Neste domingo coloquei Bon Jovi no último volume e chamei o Anderson pra fazer faxina no depósito. Tá, não foi assim uma vontade que deu de repente, vamos nos mudar mês que vem, então temos que começar a jogar o máximo de coisas possíveis fora. Mas como isso é difícil…
Primeiro, porque eu fico pensando nas mil e uma utilidades que aquilo pode ter um dia (mesmo estando guardado há oito ou dez anos e até agora não ter servido pra nada), depois fico pensando, poxa, mas isso deve ser útil pra alguém ainda, será que ao invés de jogar eu não poderia doar. Não! Tem coisas que coisas que não servem mais pra nada mesmo, nem pra reciclagem.
Eu sou a rainha do papel velho, toneladas, os cadernos do primeiro e do segundo grau só joguei fora quando casei, e muito contrariada, agora restam todos os da faculdade, cadernos, apostilas, trabalhos, provas, papel riscado, tudo.
O Anderson é o campeão de guardar aparelhos eletrônicos com defeito, que ele nunca manda ajeitar e também coisas que ele compra e não usa, alguns ele até usa, por uma semana e depois encosta. Aqui cabe um parágrafo extra.
Sabe aquelas pessoas que se empolgam com uma coisa e viram o maior praticante de todos os tempos da última semana? Pois é. Foi assim quando ele resolveu ser motoqueiro, depois ciclista, depois treinar boxe, todas as modalidades foram abandonadas, mas os acessórios continuam por lá, fazendo volume. Esses ainda dá até pra vender, pode amor?
Começamos a mexer nas caixas, mofo por toda parte, nariz irritado e boas lembranças. Acho que é essa sensação de posse sobre o passado que faz a gente se apegar a um pedaço de papel ou objeto obsoleto, parece que dá medo de jogarmos fora e a lembrança ir junto. Eu sei que um dia vai acabar indo, a idade vai chegar e a memória vai falhar, mas com certeza vão ficar as lições.
Enfim, foi mais fácil jogar muita coisa por causa do mofo, o depósito era meio úmido e acabou comprometendo parte dos papéis, até os convites não entregues do nosso churrasco de casamento foram pro lixo. Já me informei sobre um ponto de entrega de papel para reciclagem, funciona lá no Inpa e quando terminarmos a faxina (a tarde inteira de domingo não foi suficiente, vai ter que rolar um segundo tempo) vou entregar lá, bem mais útil do que acumulando poeira e mofo do depósito de casa.

Tensão pré-apê novo

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O bom de ter sido criada em cidades pequenas foi sempre ter morado em casas com quintal, muita terra e árvore pra subir (e cair), ter vivido a infância à moda antiga, quando a gente se divertia com pequenas coisas e podia até brincar na rua sem supervisão.

Nos mudamos alguma vezes quando criança, de Porto Velho para Rio Branco, de Rio Branco voltamos pra Porto Velho e de lá fomos pra Boa Vista, nesta última meus pais resolveram quietar o facho. As mudanças não foram nada difíceis pra mim e meus irmãos, que nos adaptávamos logo à nova vizinhança e colégios, afinal nada é muito diferente entre essas três capitais do norte.

Senti a diferença mesmo quando mudei pra Manaus, primeiro porque fui morar sozinha, segundo porque era em outra cidade, rola sempre aquela excitação “uhuuw ninguém pra mandar em mim”, em seguida vem o choque, puts e agora? Não tem mais ninguém pra mandar em mim, vou acabar fazendo besteira…

De cara percebi que aqui a rotina era bem diferente, ninguém ia almoçar em casa durante a semana, ninguém dava uma passada na casa dos amigos sem avisar, ou saía de noite sem rumo procurando alguma coisa pra fazer. Aqui todo mundo trabalha o dia todo, longe de casa, come na rua, só vai na casa do amigo se for convidado ou se ligar antes avisando, e quando sai de noite já tem destino certo. Já repararam que voces não conhecem as mães dos seus amigos aqui em Manaus? Pois é, lá em Boa Vista conheço os pais de todos os meus amigos, pois costumamos frequentar as casas uns dos outros.

Mas como já namorava o Anderson não demorei muito pra me enturmar com os amigos dele, me acostumar e conhecer as vantagens de uma cidade grande, “baré” claro, mas grande perto das outras que já tinha morado, salário melhor, mais de uma sala de cinema, baladas, bons restaurantes.

Até então eu só tinha passeado em cidades grandes, de férias ou em competições esportivas, mas sempre voltava pra minha cidadezinha. Agora era diferente, eu tinha que me preocupar diariamente com engarrafamento, com estacionamento, com a segurança, com as filas em todo canto.

E também tinha que aprender a morar em “poleiro”, como diz meu pai. Quer deixar uma pessoa de cidade pequena totalmente desconfortável? Coloca ela dentro de um apartamento… Morei em um, praticamente uma quitinete quando casei, depois mudamos pra uma casa onde éramos roubados dia sim dia não. Até que achamos uma casa legal, grande, perto do trabalho e numa área bem tranquila, os vizinhos ouvem umas musicas estranhas de vez em quando (do gospel ao carimbó) mas nada que incomode muito, estamos aqui há dois anos.

O problema é que herdei um costume dos meus pais, receber os amigos em casa, os de outras cidades como hóspedes e os daqui em pequenas reuniões nos fins de semana, até hoje eles fazem isso lá em Boa Vista, e nós fazemos aqui em Manaus, quer dizer, a casa que estamos é ótima para isso e o quarto de hóspedes tá sempre ocupado, mas o aluguel mata.

Com o boom do mercado imobiliário em Manaus, há quatro anos resolvemos investir em um apartamento, que deveria ter ficado pronto em abril do ano passado. Depois de um ano e dois meses de atraso a construtora Capital começa a ensaiar a entrega, nos garantiram que em um mês já podemos mudar.

Já estou vivendo a tensão pré-apê novo, mil coisas que quero fazer lá, enfim vou ter a cozinha do jeito que quero, meu closet, vamos parar de pagar aluguel e… vamos começar a fazer parte de um condomínio. Confesso que tô com receio, pois pretendo continuar recebendo os amigos, claro que sendo um lugar menor vamos ter que separá-los em grupos, e os hóspedes também vão ter que se acostumar em dar satisfação na portaria, dividir elevador e não fazer barulho. Ou seja, o terror de todo síndico, apê muito movimentado é sinônimo de reclamação, nem cheguei ainda e já tô causando tumulto.

Livros online

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Se você tá afim de ler um livro e não quer comprá-lo, afinal, tem certos exemplares que vale a pena ter na estante, outros nem tanto, recomendo o www.leituradiaria.com

Lá tem centenas de títulos, vc se cadastra, escolhe o livro e fica recebendo trechos diariamente por e-mail, é só você dizer quantos minutos está disposto a ler por dia. É muito legal, já li vários livros por lá e funciona, claro, se você é uma daquelas pessoas que abre o e-mail todo dia, se não acumula e aí vc perde o interesse.

Sem lenço e sem documento

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Pessoas com objetivos de vida muito bem definidos me assustam, isso porque a cada dia vejo o tempo passando e passando, e percebo que ainda não decidi o que quero ser “quando crescer”, e o pior, nem quero me preocupar com isso. Afinal, quem disse que isso é ruim? Legal mesmo é parar e ver as coisas que fiz sem planejar e que deram certo.

Percebi, esses dias, que não sou daquelas pessoas que ficam se imaginando daqui a tantos anos. Tipo: “com 30 quero ser presidente da empresa, estar casada, com trocentos filhos, morando no litoral”. Não, definitivamente, nunca fiz esses tipos de planos e como já to perto dos 30, já pensou que decepção seria?

Não planejei nem ser jornalista, foi acontecendo e acabei gostando, e é uma daquelas profissões de amor e ódio, que a gente vive reclamando e nunca larga, mas vai que amanhã eu enjôo, pelo menos o “plano B” eu tenho, posso abrir uma academia de karatê e tá tudo certo (melhor que virar hippie).

Quando eu tinha 20 eu curtia a vida de solteira e com 21, assim de repente, me mudei de cidade e casei, sem pensar duas vezes, eu só sabia que era a hora certa. Já pensou se eu fosse daquelas mulheres que fica na paranóia? “ah porque a minha profissão isso, minha família aquilo…” eu podia ter deixado passar o homem da minha vida.

Na verdade as coisas que mais aproveitamos na vida são assim inesperadas, é muito bom quando recebemos uma boa notícia, melhor ainda é quando aparece uma oportunidade e nós estamos abertos para aceitá-la, justamente porque não nos prendemos a mil e um compromissos que não largamos por nada, na esperança de um resultado muito distante.

Perto do nosso aniversário sempre ficamos pensativos, onde chegamos, o que já conquistamos, quanto tempo ainda tenho pra fazer tal coisa. Eu não sei, só sei que quero comemorar porque ta tudo bem, obrigada. E amanhã é outro dia.