Sem lenço e sem documento

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Pessoas com objetivos de vida muito bem definidos me assustam, isso porque a cada dia vejo o tempo passando e passando, e percebo que ainda não decidi o que quero ser “quando crescer”, e o pior, nem quero me preocupar com isso. Afinal, quem disse que isso é ruim? Legal mesmo é parar e ver as coisas que fiz sem planejar e que deram certo.

Percebi, esses dias, que não sou daquelas pessoas que ficam se imaginando daqui a tantos anos. Tipo: “com 30 quero ser presidente da empresa, estar casada, com trocentos filhos, morando no litoral”. Não, definitivamente, nunca fiz esses tipos de planos e como já to perto dos 30, já pensou que decepção seria?

Não planejei nem ser jornalista, foi acontecendo e acabei gostando, e é uma daquelas profissões de amor e ódio, que a gente vive reclamando e nunca larga, mas vai que amanhã eu enjôo, pelo menos o “plano B” eu tenho, posso abrir uma academia de karatê e tá tudo certo (melhor que virar hippie).

Quando eu tinha 20 eu curtia a vida de solteira e com 21, assim de repente, me mudei de cidade e casei, sem pensar duas vezes, eu só sabia que era a hora certa. Já pensou se eu fosse daquelas mulheres que fica na paranóia? “ah porque a minha profissão isso, minha família aquilo…” eu podia ter deixado passar o homem da minha vida.

Na verdade as coisas que mais aproveitamos na vida são assim inesperadas, é muito bom quando recebemos uma boa notícia, melhor ainda é quando aparece uma oportunidade e nós estamos abertos para aceitá-la, justamente porque não nos prendemos a mil e um compromissos que não largamos por nada, na esperança de um resultado muito distante.

Perto do nosso aniversário sempre ficamos pensativos, onde chegamos, o que já conquistamos, quanto tempo ainda tenho pra fazer tal coisa. Eu não sei, só sei que quero comemorar porque ta tudo bem, obrigada. E amanhã é outro dia.

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