Um dia de Marcopolo
July 26th, 2007Então que ontem eu resolvi acordar um pouco mais tarde, pois se quero vir de rota para o trabalho tenho que acordar às 5:30 da madrugada. (Eu sei, é foda!) Mas aà que toda vez que eu faço isso eu tenho que vir de ônibus, a Mariana usa o carro.
Aqui nós temos um preconceito muito grande com quem anda de ônibus, geralmente se pensa que o cara é um fudido na vida. Tem gente que se esconde na parada e tudo mais. Mas eu sei o porquê disso: é que aqui no Brasil o sistema público de transporte é tão ruim, mas tão ruim, que só as pessoas que não têm saÃda o usam. Lá fora é diferente, mas lá fora tem MUITA coisa diferente.
Bom, saà de casa à s 8 da manhã e como moro meio contra-mão e não sei direito o percurso das linhas, tenho que pegar 2 ônibus. A sorte é que criaram aquele smartcard que faz com que você possa pegar quantos ônibus quiser no perÃodo de 90 minutos a partir da primeira vez que você pagou, legal né? E também eu só gasto 1 real, já que tenho a carteira de estudante. No celular estão todas as linhas que passam na Constantino e vêem pra Nokia, mas, cadê meu celular? PQP, esqueci o celular em casa, agora vou ter que lembrar de algum número! Porra, porque os ônibus em Manaus não têm aquele itinerário pregado nas portas?!
Às 8:30 já estava andando ali por perto do Amazonas Shopping, em direção à Constantino Nery. O sol estava de lascar e eu não fui feliz na escolha de roupa. Aqui em Manaus você tem que se preocupar com a roupa que vai sair, tanto quanto alguém que mora num lugar frio. Eu escolhi uma combinação de cinza com uma camisa que não passava NADA de vento e ainda fedia, a desgraçada. Sem falar que ela esquentava mais rápido que teflon, tô dizendo, foi foda.
Então que consegui pegar o busão na Constantino e cheguei no trabalho só um pouco suado, mas o pior estava por vir…
Segundas e quartas tenho aula na UFAM, vou de carona com algum colega aqui e na volta, ou a Mariana me busca ou eu volto de busão pra casa. Ontem só tive aula das 14 às 16, e como estava com a cabeça na lua, também esqueci o carregador do laptop, ou seja, não daria pra ficar na UFAM esperando a Mariana me buscar. (Isso se eu conseguisse me comunicar por telepatia com ela, porque na UFAM não tem orelhão, e se tem, não sei onde fica.) E ainda pra piorar minha situação, eu tenho a mania de não andar com dinheiro, gosto muito de usar o redeshop. Então que eu tenho 2 reais na carteira, e lá na UFAM só tem caixa eletrônico do Unibanco e do Banco do Brasil, ou seja, eram os 2 reais da minha vida!
Ah, vou de ônibus pra casa então… - pensei. Fui pra parada esperar o Integração, desci na bola do Coroado e segui rumo à primeira parada do V8. A temperatura estava em gratinar e eu já suava mais que bunda de gordo.
O primeiro busão que passar aqui eu pego e desço ali no CSU, depois pego outro que passe na Av. perto de casa e pronto. Mas o busão que eu peguei entrou na Recife. O trânsito parado só aumenta o calor dentro e a temperatura sobe para tostar.
Ei brother. Tá vendo aquele aleijadinho ali? Ele não é aleijado não aquele filho-da-puta. - o motora conversando comigo olhando pelo retrovisor. Ele contou uma história (ou estória) que deu esmola para o moleque e que depois o viu andando direitinho, como se não fosse aleijado. Que passou do lado dele de novo e deu uma lapada com um fio lá não sei de quê. Eu só conseguia pensar no calor desgraçado que estava fazendo e no meu cheiro de gambá.
Boa-tarde-senhoras-e-senhores-essas-jujubas-que-dei-pra-vocês-possuem-4-sabores-morango-tuti-fruti-abacaxi- cereja-e-só-custam-50-centavos-2-por-1-real-se-você-levar-a-bala-de-mangarataia-que-é-boa-para-gripe-resfriado- sinusite-catarro-e-o-bixinho-do-ram-ram-ram-ramrammar-ramram. Poisé, o moleque até fez o som do pigarro.
Resumindo, cheguei em casa às 5:30, cansado, e parecendo que tinha passado o dia carregando saca de farinha lá no porto. (nada contra os estivadores). Sinceramente, acho que climatizar os ônibus de Manaus é uma necessidade e não um luxo. Que saudade do Canadá, hehe.
