Vendendo Deus

December 19th, 2007 6 Comments

Estão fazendo um amigo secreto lá na minha turma de mestrado. Como bom “sociável”, resolvi participar. Como bons nerds, nosso sorteio foi realizado por um site especializado nisso. Lá todos puderam cadastrar suas opções de presente, colocar uma foto no perfil, informações pessoais, etc. O próprio sistema do site faz o sorteio e lhe notifica, via e-mail, quem foi que você tirou. O legal também é a pessoa tirada por você pode enviar mensagens, sem saber quem o tirou, evidentemente.

E então que o meu amigo secreto me envia uma mensagem, com uma lista de 4 CD’s de um grupo chamado “Hillsong”. Eu nasci sem a parte do cérebro que é responsável por gravar nomes multimídia, então nem estranhei que não conhecia a tal banda. Só depois que alguns colegas me disseram que se tratava de uma banda evangélica, de muito sucesso. Quase um RBD de Jesus.

“Que merda, pqp!” Pensei. “Não quero financiar essa porra não!” Pensei de novo. Mas não tinha jeito, meu amigo secreto escolheu isso e eu tinha que comprar esse presente, era mais fácil e rápido.

Então que, pela primeira vez na minha vida, fui à Bemol, na àrea de CD’s procurei pela área reservada à “Religiosos”. Primeira reação foi o espanto. Vocês já viram o tamanho dessa área? Ela é muito maior que alguns ritmos populares como pagode, axé e rock, somados!

É tanto CD que me custou mais de 15 minutos para achar a tal da banda Hillsong. Na minha procura vi capas de CD de bandas evangélicas de emos, estilo Fábio Jr, estilo Kaká (apontando pra cima), estilo “Sou virgem-e-frígida”, dentre outros. É impressionante a variedade de cantores, bandas e outros grupos que lançam CD’s. Foi aí que eu lembrei de uma passagem da Bíblia:

E entrou Jesus no templo de Deus, e expulsou todos os que vendiam e compravam no templo, e derribou as mesas dos cambistas e as cadeiras dos que vendiam pombas; Mateus 21:12

Justamente as pessoas que dizem estar seguindo a Bíblia, parecem não estarem atentas à esse versículo. Logo imaginei Jesus entrando pela Bemol, flutuando (é pow, é Jesus) até a área de DVD’s e quebrando toda a área de discos “religiosos”, com muito fogo. Quando os seguranças chegassem, ele faria um gesto com as mãos e as armas deles voariam de suas mãos, quebrando contra a parede. hehehe

Mas é sério, fiquei enojado com a quantidade de pessoas que vendem Deus. E só consigo sentir pena dos que compram esse tipo de material.

Esse não é um post nerd. Na realidade, é uma tentativa de explicar, no meu ponto de vista, o que é o desenvolvimento de programas de computador de código aberto.

Bem, tudo começou há alguns anos atrás com Richard Stallman, quando este fundou o projeto GNU, em 1984. Basicamente, a idéia dele é que todo programa de computador deve ser “livre”, ou seja, todo usuário que utilizá-lo deve ser capaz de alterá-lo de acordo com as suas necessidades. Se for o caso, contrata algum especialista e paga pelo serviço de personalização, mas o código-fonte, ou seja, a matéria-prima do software continua sendo de uso público.

Como eu disse antes, vou tentar simplificar para que os leigos nessa área possam entender. E, não vejo como fazer isso sem usar como exemplo o Linux e o Windows da Microsoft. Não sei se vocês sabem, mas o Linux é um sistema operacional completo e grátis e o Windows também é um sistema operacional completo, porém pago.

A grande diferença quando se usa Linux ou Windows, ao meu ver, é que o primeiro é passível de modificações, ou seja, você pode alterá-lo para suprir as suas necessidades. Imagine que você seja um programador e sabe que alguma aplicação do Windows está “dando pau”, sabe o porquê, mas não tem como ajudar. O código-fonte do Windows não é liberado e você tem que esperar a Microsoft lançar algum “Security Pack” ou “Atualização” (Remendo, na realidade) para que seu computador seja menos vulnerável, ou funcione direito.

Com o Linux não. Se você sabe qual é o problema, vá lá, resolva e envie sua solução para uma lista de e-mail das pessoas que mantêm determinada parte do sistema. Assim, no próximo lançamento mundial, seu código (e nome), estará disponível para outros milhares de usuários.

Sou desenvolvedor de software livre há três anos. Sou pago pelo INdT - Instituto Nokia de Tecnologia, que é um instituto de pesquisa financiado pela Nokia através de recursos da Lei de Informática, do governo brasileiro. Acredito que o time que foi levantado, utilizando mão-de-obra oriunda da UFAM, é um sucesso no que se refere à criação de profissionais altamente especializados em tecnologia de ponta.

Uma de nossas metas, e de minhas metas pessoais, é contribuir para o desenvolvimento da minha região e principalmente do meu país. Já fiquei muito tempo “trabalhando” sem ser renumerado, somente pelo prazer de poder ter meu nome e meu legado em softwares aque irão ajudar outras pessoas.

Eu sei, pode não parecer muito. Mas é assim que eu me vejo contribuindo para um mundo melhor. É o que sei fazer, e espero estar conseguindo.

Sensíveis demais

November 25th, 2007 4 Comments

Antes de mais nada, quero deixar claro que qualquer semelhança com a vida real é mera coincidência. :)

Vocês já notaram como a “simpatia” feminina para com suas semelhantes é frágil? Parece um castelo-de-cartas que está prestes e receber um sopro de misericórdia, fazendo com que tudo vire ruínas e nunca mais se construa outro.

É impressionante como um gesto, uma idéia, um comentário ou simplesmente um semblante, pode mudar a consideração entre duas mulheres, ou um grupo das mesmas.

Os homens não. Nós somos como cachórros (paraense language: on). Nós acreditamos na cumplicidade do amigo, no companheirismo e no dinheirinho emprestado no fim do mês, hehe. É por isso que eu gosto de ser homem, e é por isso que eu não acredito em amizade de mulheres.

Um conselho às mulheres: calma, não precisam levar tudo à ferro e nem fazer de tudo uma análise crítica. O maior problema nos relacionamentos (tanto entre vocês, quanto entre você e seu macho), é que vocês potencializam demais as coisas. Tentar se colocar no lugar do outro ou da amiga, é a forma mais simples, eficaz e fácil de saber a hora de ficar antipática ou não. ;)

Não, eu não briguei com a Mariana… hehehe

Hoje é dia da Consciência Negra. Mais de 200 cidades decretaram feriado municipal, atravancando o andamento da economia e fazendo muita gente perder dinheiro. Mas isso é o de menos.

Na minha opinião, a maior babaquice do brasileiro é fazer esse tipo de apartheid tupiniquim. Onde já se viu fazer o dia da Consciência Negra? Já está mais que comprovado que as raças não existem, nós somos todos iguais, é só ver o DNA. O dia da Consciência Negra, dia do Índio, etc… Isso é pura demogogia e manipulação das massas.

Eu sou negro, índio, amarelo, branco, fosforescente (ui), etc. Todos nós somos seres humanos. Ridículo esse dia, ridículo o sistema de cotas para negros nas universidades, ridículo negro que acha que todos são rascistas, ridículo branco/amarelo/tricolor que pensa que é melhor só por causa de certa taxa de melanina.

PS: O que acharam do novo template? :P

Tropa de Elite

October 12th, 2007 1 Comment

Esse filme é o assunto do momento. Sucesso de pirataria, o filme se alastrou pelo país e hoje estréia aqui nos cinemas de Manaus.  Tenho mais de 100 dvd’s de filmes, todos originais, mas Tropa de Elite eu tive que assistir piratão mesmo.

Confesso que já o assisti três vezes, e fico intrigado com a vontade que todos têm de assistir novamente. Bem no fundo, creio que esse filme veio como uma fuga para o sentimento de impunidade que assola o país há alguns anos. Não, não estou falando dos traficantes do Rio, mas sim dos criminosos de terno e gravata que dizem governar nosso país.

Mas, e os traficantes? Sinceramente, compartilho da idéia de que os problemas com os traficantes só serão resolvidos com repressão e ação social. Repressão dura contra eles e ação social com as crianças, visando protegê-las desses marginais. Não adianta pavimentar ruas e tentar educar os adultos. Porra, os adultos já sabem o que estão fazendo, já sofreram toda a influência que poderiam sofrer e se estão confraternizando com os traficantes, é porque são cúmplices — como diria o Capt. Nascimento.

E nós, meros civis, o que fazemos? Bom, a coisa mais importante que podemos fazer é parar de fazer apologia às drogas, para de fumar aquele cigarrinho-do-diabo, nas festinhas e nos finais de semana. Quer fumar maconha? Então plante, seque e fume. Porque se você comprar de alguém, está financiando o tráfico, seu viado!